terça-feira, 18 de janeiro de 2011

FALANDO DE SOBREVIVÊNCIA.

A uns quarenta e poucos anos atrás eu ainda era um garotinho que ficava costumeiramente ouvindo as conversas sábias de meu avô com o pároco da cidade onde nasci e mais alguns amigos, como o prefeito, o vice-prefeito e algumas personalidades ilustres de minha pequena e pacata cidade natal.
Nasci um pouco antes do nosso país adentrar em uma época das mais agitadas e inimagináveis possíveis, a Ditadura Militar. Poucos anos depois que nasci já vivendo entre muros escolares, dividindo meu tempo entre escola e acompanhar meu avô em seu laboroso trabalho, tive a grande oportunidade de poder estar perto dele e de seus amigos ilustres que ouviam ele lhes contar os fatos que ele presenciou e o que previa diante de tudo que ele tinha passado até aquele presente momento com grande atenção.
Um homem de grande honestidade, conhecedor dos preceitos bíblicos e da política, ele tinha sob sua responsabilidade a produção de artefatos pirotécnicos para festas de eventos públicos como aniversários de cidades, festas tradicionais de nosso povo e também cuidar de suas terras, do imenso cafezal onde no meio das trilhas costumava plantar fileiras de pés de amendoim, algodão, gergelim e um tipo de planta que fornecia varas para os rojões que costumeiramente eram chamados de fogos de artifício.
Ele e seus amigos varavam noites à dentro sentados na sala de nossa casa debatendo seus pontos de vista e eu, bem, eu a certa hora cansado acabava caindo no sono e ele e seus amigos ali sentados a volta de uma grande mesa que tínhamos, ficavam jogando cartas enquanto discutiam política e os rumos do mundo naquela época. Tudo aquilo era tão imenso para mim que achava já muito complexo cuidar do meu espaço geográfico que se detinha numa área de minha casa, da escola e do trabalho de meu avô.
Certo dia ouvi dele e isso eu nunca esqueci, a seguinte conclusão, o que na época para mim era apenas uma frase, mas hoje estou certo que era uma previsão, ele disse o seguinte, estamos vivendo em uma época muito melhor do que a que passamos a trinta e poucos anos atrás, mas o mundo deve seguir seu rumo e o Brasil também escreverá seu destino na história das grandes nações independentemente de nós, mas precisamos sempre ter muito cuidado com o andar da carruagem pois se a grande China, o gigante vermelho acordar para o mundo, certamente vamos ter muitas dificuldades com esse gigante adormecido. Essas palavras ficaram guardadas em minhas lembranças e vendo o atual estado em que se encontra as nações que se diziam grandes potências do mundo, que hoje estão sendo abaladas pelo sistema que as engoliu com seus tentáculos e que no entanto, nada lhes deixou para levantar seu lábaro. Como vampiro sugou de cada parte do mundo ocidental tudo que ele tinha de recurso natural e de sua riqueza, além de adulterar seus costumes a ponto de desvalorizar o sentido da vida e de nossa existência.
Eu estou certo que nem o mais sábio dos homens sabe nos dizer para onde foi todo esse montante de recurso e esse montante de riqueza, no entanto, eu posso responder e garantir com a maior certeza que tudo virou entulho e lixo, que tudo está perdido nos grandes lixões e no fundo dos oceanos transformando nosso planeta numa imensa lixeira que está transbordando de tanto material inútil, material que nosso planeta não tem onde lançar. O que nem todos sabem, é que todo esse lixo existente, foi acondicionado durante pouco mais de cem anos, ou seja, nos últimos cem anos de existência da espécie humana nesse imenso planeta. Nós somos parasitas, somos piores do que as pequenas formigas, pois vamos destruindo tudo através de justificativas de que necessitamos de determinados recursos para termos melhores condições de vida e esquecemos que esses recursos é o maior invento para a destruição total de nossa espécie.
O que não tira o mérito de nações como a nossa e a grande China lutarem para atingirem suas metas e alimentarem seus egos determinando seus espaços nesse mundo de reviravoltas e de rompimentos de paradigma.
Mas é certo que nos restam pouco tempo para nos alegrarmos com isso e infelizmente pouco para festejarmos, mas se esses seres que vivem sobre a parte externa do planeta não ouviram nem Deus e nem os clamores de seus ancestrais que foram considerados homens de grande sabedoria como é o caso dos grandes filósofos, se olhassem não só com admiração mas com temor as sombras e as ruínas das grandes civilizações que ainda hoje tanto admiramos, estou certo que a algum tempo atrás poderiam de certa forma postergar certos desastres naturais que já são o indício de que já não há mais tempo, ou seja, mais nada a fazer...
Infelizmente é isso que revela o atual quadro físico do planeta.

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